sábado, 23 de março de 2013

Juiz Feijão, por Afonso de Melo

Benfica, Afonso de Melo, Juiz Feijão

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O juiz Phantly Roy Bean (Feijão, à portuguesa) foi uma das figuras mais extraordinárias do velho Oeste americano.
Acho que já falei aqui dele, mas não se perde nada em trazer de volta a estas páginas as peripécias de tamanho personagem. Juiz de Paz em Val Verde County, no Texas, Feijão tornou-se um administrador autoritário da justiça, entitulando-se vaidosamente como «A Lei a Oeste de Pecos».

Também temos um Feijão neste País de favas. E juiz. Dizem que é Feijão da Trofa. Surgindo na televisão, grandiloquente, a avaliar uma trampolinice barata, tratou de esfregar na lama toda a magistratura. Que faz correr Feijão?
Geralmente, estes juízes de vão de escada, com uma carreira atrás de si capaz de envergonhar o menos competente dos oficiais de diligências, movem-se pela visibilidade. Dois minutos de espaço num telejornal qualquer provocam-lhes espasmos de prazer. Uns convites para assistirem a uns joguinhos de bola no camarote das Antas transforma-nos em julgadores baratos de saloon mancumunados com os pistoleiros sem escrúpulos.
É esta a sua vida-vidinha. Não têm pactos com a Justiça nem com a sua consciência. Limitam-se a ser trapos, usados, sujos, atirados para o balde dos desperdícios quando deixam de ser úteis ao Madaleno.
Volta e meia entram-nos pela casa adentro, através da televisão: enquanto vomitam umas porcarias, fixamos-lhe os nomes. E convém fixá-los: nada pior do que um juiz que está do lado do criminoso.
O nosso Feijão não cabia em si de orgulho. Cumpriu a ordem. Talvez receba como prémio uma palmada no pescoço. Depois, como todos antes dele, será corrido a pontapés na boca.

Afonso de Melo, in O Benfica

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